O preconceito levou a melhor. Mais uma vez...


As quatro propostas legislativas relativas à adopção por casais do mesmo sexo foram nesta quinta-feira chumbadas pelo plenário da Assembleia da República. As duas iniciativas do BE e as outras duas do PS e Verdes não ultrapassaram os 91 votos favoráveis. Os votos contra andaram em média nos 120 deputados.


É a quarta vez nesta legislatura que o Parlamento aprecia diplomas sobre a adopção ou co-adopção por casais do mesmo sexo. Em 2013, a co-adopção, proposta pela socialista Isabel Moreira, começou por ser aprovada na generalidade e, depois de vários meses  a ser trabalhada na comissão, acabou por ser travada pelo PSD que apresentou, através de deputados da JSD, uma proposta de referendo nacional. A direcção da bancada do PSD impôs a disciplina de voto sobre esta proposta, o que levou à demissão da vice-presidente do grupo parlamentar Teresa Leal Coelho. A deputada manteve-se, no entanto, como vice-presidente do partido. 



O que mais me irrita nestes quatro chumbos é o facto de se estar a ignorar, por completo, o interesse da criança. Um processo de adopção tem como objectivo dar uma família a uma criança. E quem participa no processo de tomada de decisão deve ter isso em conta.
Mas se olharmos para quem nos representa na Assembleia, não vemos isso. Vemos sim, decidirem de acordo com crenças religiosas e preconceitos sem fundamento.


Os argumentos contra a adopção por casais do mesmo sexo são absurdos:


 


- A criança vai ser gozada;


- A criança vai ser gay como os pais.


 


Sim, a criança é capaz de ser gozada. Mas vai ser gozada por ser gorda/magra/usar óculos/ter dentes de castor/usar roupas feias/etc. Não vai ser mais gozada por ter uma família diferente. Além disso, é minha convicção de que vai ser educada para ser tolerante e aceitar a diferença. E, senhores, quando olho para os nossos deputados da maioria fico com a certeza de que precisamos (urgentemente) de pessoas tolerantes!


 


Quanto ao argumento de que a criança vai ser gay porque é esse o exemplo que tem - deve ser a teoria do behaviorismo aka observação-imitação - só me apetece rir. Então a orientação sexual é algo que se escolhe? É uma decisão que se toma? É um acto de rebeldia? Se sim, quando é que os nossos deputados escolheram ser heterossexuais? Não me lembro de ter tomado essa decisão. É uma orientação.


Por fim, temos as questões religiosas. A religião repudia tudo o que não está no livrinho que foi escrito há muitos anos atrás. Sabemos que a ideia é crescermos e multiplicarmo-nos. Sabemos, também, que os gays não se podem multiplicar. Mas não podemos ignorar que as instituições estão cheias de crianças, que desesperam por uma família. Sim, porque uma família imperfeita é melhor do que nenhuma. 


imagem_casal_gay_adopção


 


 

Comentários

  1. Eu ando-me a conter para não falar do assunto no meu blogue! Grr

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  2. É um assunto que deve ser debatido...

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  3. Este é tipo o Charlie Hebdo, e depois cai-me tudo em cima !

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  4. Oh santo deus.
     Somos tao parecidas e gosto tanto :D

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  5. Mesmo que essas crianças se fossem "tornar gays", que problema há nisso? Juro que não compreendo. Não há nada de errado em ser gay.

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  6. De certeza que os mais conservadores dirão que a homossexualidade põe a espécie humana em risco. 

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  7. <br />É só mais uns tempos, o PS vai ganhar as próximas eleições, portanto parto do princípio que vai aprovar.
    Há umas semansa eram todos Charlie, agora é o que se vê, só preconceitoosos!!!

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  8. Achas que o Ps ganha? Não sei, este caso Sócrates veio mesmo a calhar...

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