Tirem as vossas conclusões.

Entrevista de António Pinheiro Torres à Renascença.


 



Querem obrigar o Parlamento a apreciar um conjunto de mexidas na lei da interrupção da gravidez. O que vos levou a avançar para esta petição?
A sociedade portuguesa já percebeu, até pelos resultados da lei do aborto, que aquilo que aconteceu ultrapassou as piores expectativas que se podiam ter quando em 2007 o assunto foi discutido.


Quanto deveria custar um aborto?
Não lhe sei dizer. Portugal é dos poucos países europeus, se não mesmo o único, em que o aborto legal é gratuito…


 


Mas a lei já prevê que se dê informação às grávidas, que se fale das alternativas, que a mulher tenha noção do acto que quer realizar. Na prática não está a acontecer?
Constatamos que também nesse aspecto no SNS ou nas clínicas privadas a situação está fora de controlo. Uma mulher que pretenda praticar o aborto legal obtém uma guia de marcha pela simples menção de que isso corresponde à sua pretensão. O que pretendemos é que algumas das previsões, que se encontram na actual regulamentação, sejam efectivas.

A nossa experiência no contacto diário com estas mulheres é que muitas vezes elas não têm noção do tipo de apoios a que podem aceder e algumas, tendo essa noção, desistem de fazer o aborto. Penso que é esse o objectivo de toda a gente, do "sim" ou do "não": que exista menos aborto em Portugal. Por isso é que fizemos estas propostas concretas que desenvolvem ou tornam obrigatórias algumas das previsões que se encontram na lei.


Segundo a DGS, só uma pequena parte das mulheres que interrompem a gravidez solicita licenças pagas pela Segurança Social.
A questão é a seguinte: uma parte recorre a essa licença. Está a gozar de uma situação de privilégio em relação a qualquer outra mulher que pratique qualquer outro acto no SNS e essa distinção é uma injustiça. É uma questão de igualdade. Incentivar o aborto através de condições excepcionais leva a que o aborto legal seja mais praticado.


Por que razão defendem também que o pai tenha uma palavra na hora de decidir abortar?
Temos uma situação paradoxal: se uma mulher decidir proceder com a sua gravidez pode depois exigir responsabilidades ao pai, mas o pai em relação à decisão sobre o aborto legal não tem qualquer palavra. São os dois que fizeram o filho, logo era normal que ambos participem em tudo o que diz respeito à vida do seu filho. Infelizmente, no actual quadro legislativo basta a vontade da mãe. Não faz qualquer sentido que só ela possa decidir sobre a vida da criança. O que pretendemos é não deixar uma mulher sozinha perante esta circunstância dramática.


 


Se o pai estiver contra o aborto e a mulher quiser fazê-lo, o que deve imperar?
À face da lei portuguesa a decisão é soberana. Não deveria ser. Mas, neste momento, o progenitor nem sequer é chamado a participar nesse processo.


 


Alguns críticos da vossa proposta dizem que é uma pressão emocional mostrar uma ecografia à grávida que equaciona o aborto.
Podemos enganar as mulheres e dizer "não se passa nada, não vais fazer nada". A outra hipótese é dar-lhe todos os elementos. Nas associações de defesa da vida, quando proporcionamos à grávida que está a pensar abortar o acesso a uma ecografia e ela constata que a partir das nove semanas já bate um coração, muitas desistem – tomam consciência da humanidade do seu feto, da sua criança, que até àquele momento não lhe era completamente evidente. Às vezes, as mulheres decidem na mesma ir abortar. Mas isto é não fazer o que muitos estabelecimentos públicos e privados fazem: desliga-se o som da ecografia e vira-se a imagem de tal maneira que a mulher não a veja para que não tenha total consciência do que é o aborto. Quando mais tarde descobrem, os efeitos na sua constituição psíquica, no seu ânimo, são fatais. É evitar à mulher esse trauma futuro.


 



Resumo:


As mulheres não sabem o que é o aborto, são umas subsidio-dependentes que matam bebés para terem direito a uns dias em casa sem fazer nenhum e antes de decidirem sobre o próprio corpo devem pedir opinião a quem lhes encheu a barriga.


Priceless!


 


 

Comentários

  1. Ai vamos de mal a pior... adoro estas generalizações.

    xoxo
    cindy

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  2. Pré-história é a melhor tag que podias ter dado a este post...Mas se há juízes portugueses que acham que o papel das mulheres é em primeiro lugar procriar, já nada me espanta.                               

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  3. Vamos vamos...Qualquer dia temos de ter permissão dos maridos para sair de casa.

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  4. Isto não me espanta, mas assusta. Este homem acha-se no direito de interferir nas nossas vidas e de impor a sua vontade.

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  5. É um reflexo da sociedade em que ainda vivemos...Atrozmente sexista embora o pessoal goste de pensar que é muito moderna.

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  6. O teu resumo é hilariante 😉 Bem apanhado! 

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  7. O mérito é do senhor que, num momento de inspiração, disse esta asneira.

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