Porque ainda há quem viva na Idade Média

Cheguei a este texto através de uma partilha no Facebook.

A senhora Catarina decidiu escrever uma carta ao bebé da criança de 12 anos que engravidou na sequência da violação continuada por parte do padrasto. E escreveu este texto porque acha errado a criança ter o direito de abortar.

Se é correcto ou errado abortar, vai da consciência de cada um. Confesso que teria dificuldade em abortar se descobrisse que estava grávida. Mas isto sou eu, uma adulta de 29 anos, com trabalho fixo. Contudo, não tenho dúvidas de que o melhor para esta criança seja a interrupção da gravidez. Uma criança de 12 anos não tem capacidades físicas, monetárias nem psicológicas para ser mãe. Uma criança com tão pouca idade e experiência não deve ter tanta responsabilidade. Deve, apenas, ser criança.

A dada altura, a Catarina escreve "Podias ser a reviravolta de toda esta triste situação. Podias ser a alegria da tua Mãe, a luz no meio da escuridão. Sim, a felicidade é sempre possível. Ou podias ser o filho daquele casal que esperava há tanto tempo por ti."

Claro que sim. A criança violada repetidamente sentir-se-á melhor se todos os dias olhar para a cara do fruto de tão hediondo crime! Sim, a felicidade é sempre possível! E até é uma boa história para contar uns anos mais tarde num qualquer programa de televisão. Ridículo, absurdo.


"Podias ser alguém inteligente, descoberto a cura para o cancro. Ou podias escrever poemas para a tua Mãe, e pintado quadros de uma beleza sem fim. Podias ser disléxico, Presidente da República ou mendigo. Não lhes interessa, ninguém sabe nem quer saber."


Catarina, se se preocupa assim tanto com o próximo, ajude. Faça voluntariado, ajude os sem-abrigo, faça serviço de babysitting à borla para mães carenciadas, adopte uma criança. Faça o que entender. Mas, por favor, ganhe vergonha na cara e respeite os direitos desta criança.

Comentários

  1. Tendo em conta o site que é o estranho era não sair disparate...

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  2. Ainda tentei mas não consegui ler a tal carta... cheguei a um ponto em que me deu vómitos! Desculpa lá!!
    Independentemente da opinião que se tenha ou não sobre a interrupção voluntária da gravidez como é que alguém vai conseguir amar plenamente uma criança gerada por uma violação? Como é que uma criança consegue lidar com isto tudo? Os abusos que foi sujeita e ainda uma gravidez? E ainda seguir com essa gravidez... 
    Não me faz qualquer sentido que a menina não possa abortar e espero do fundo do coração que seja bem acompanhada psicologicamente e tenha todo o amparo que precisa.
    O resto... oh pá... nem comento!

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  3. Dou sempre o benefício da dúvida...

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  4. Concordo inteiramente.
    Ser violada é das piores coisas, olhar para o fruto da violação o resto da vida...É tortura.

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  5. Não teria dito melhor? De onde caiu essa Catarina?!!!

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  6. Fala-se de cor de uma assunto que só quem apoia o caso de perto é que pude ajudar a criança,  a de 12 anos.


    Mas carta a um bébé produto de uma violação a uma criança parace-me ser um bocado puxado.

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  7. Uma miúda de 12 anos não tem condições para ser mãe. Escrever uma carta destas é um acto de crueldade.

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  8. Concordo plenamente contigo. Eu também não conseguiria abortar, mas tenho 28 anos, sou casada e tenho uma situação estável. Agora condenar uma CRIANÇA de 12 anos que foi violada repetidamente de o fazer é grotesco. Tirar alegria desta situação é impossível. Ela nem consegue cuidar de si, quanto mais de um bebé, e a solução seria dá-lo?  Ou se calhar a Catarina espera que a avó o ajude, quando nem soube ajudar a filha. Ridícula, mais valia ficar calada.

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  9. Na altura que a noticia desta criança veio a publico soube que uma colega tinha uma filha que tinha sido mãe aos 12. Fiquei chocada com a forma como ela me falou do assunto http://marrocoseodestino.blogs.sapo.pt/estou-em-choque-28305
    Achar normal uma criança de 12 anos ser mãe?
    Não, não consigo achar

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  10. Uma rapariga de 12 anos com um namorado de 23 é, por si só, gravíssimo!
    Do resto nem vale a pena falar...

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