Abram os olhos, criaturas!


Os habitantes da ilha do Pico são as pessoas mais estranhas do mundo. A sério.
Reclamam por tudo e por nada e nunca estão satisfeitos.
Veio uma SIV para a ilha (com base no Concelho de São Roque) e houve uma pré-revolução: Os das Lajes exigem uma SIV para a Ponta da Ilha e os da Madalena reivindicam a SIV para o seu Concelho, alegando o número de ocorrências para aquela zona. Recentemente, foi apresentada uma queixa na Protecção Civil, por causa do barulho da sirene da SIV. É uma chatice um veículo prioritário usar os sinais sonoros para assinalar a marcha de emergência. E a SIV só funciona até à meia noite...
Temos um Centro Hospitalar - eu pelo menos não o vejo como um Centro de Saúde - com alas fechadas. Porquê? Porque não é fácil agradar a esta gente.
Há pelo menos um ano que se fala em centralização de serviços na Madalena. Isto não implica o encerramento dos Centros de Saúde nos outros dois Concelhos que, em princípio, ficariam com os cuidados continuados, vacinas, etc. Cruzes, credo! Aquela malta passou-se e houve até quem acusasse a Unidade de Saúde de querer "desertificar" o Concelho das Lajes. Um horror...E depois as coisas não avançam porque surgem logo setecentas e cinquenta mil reclamações para a tutela.
A USI Pico este ano conseguiu uma coisa que não é fácil: Internamento e médico em presença física 24 horas na especialidade de Medicina Interna. Isto senhores, é uma grande vitória! Atrevo-me a dizer que a intervenção destes médicos já ajudou a salvar muitas vidas. Mas mesmo assim, temos habitantes da ilha que preferem ser transferidos para o hospital da Horta a ser internados na Madalena. Se isto não é ser palerma, vou ali e já venho.

E como se resolve este problema? Simples. 

- A primeira coisa a fazer é centralizar. A centralização da urgência na Madalena é meio caminho andado para resolver o problema. Actualmente as urgências estão a ser asseguradas por empresas médicas que nos custam os olhos da cara. Ao centralizarmos, gerimos melhor os recursos humanos disponíveis e, consequentemente, poupamos dinheiro. Optimizar, racionalizar.

- A questão da SIV. Com a centralização da Urgência, faz todo o sentido ter a SIV na Madalena. Além de ser o concelho com maior número de ocorrências (número superior à soma das ocorrências dos outros dois concelhos), o enfermeiro pode e deve trabalhar no SAP, sendo substituído por outro colega sempre que houver uma saída da SIV. Optimizamos RH e só aí já facilitamos a vida a todos, pois todos sabemos que cá na ilha  só meia dúzia de enfermeiros faz SIV.
Quanto à pergunta "então e a malta da Ponta da Ilha, que fica sem nada?". Bom, continuam a ter os Bombeiros das Lajes, mas podemos sempre ponderar a abertura de um destacamento na Ponta da Ilha para um socorro mais rápido. Além disso, em caso de prioridade A:
 * A vítima teria sempre de ir para a Madalena e, se necessário, posteriormente para a Horta;
* A SIV sai da Madalena ao encontro da ambulância/vítima. Tratamento referenciado em alguns minutos.

- Todas as semanas são deslocados para o Faial cerca de 400 utentes do Pico. De acordo com a nova portaria de deslocação de doentes (em vigor desde Abril do corrente ano), as Unidades de Saúde são responsáveis pelos custos inerentes às deslocações. Quer sejam primeiras consultas, quer sejam subsequentes. Contudo, a despesa não veio acompanhada de um reforço orçamental, pelo que as USI's têm de fazer mais com menos. Utentes, acompanhantes, diárias...Isto é muito dinheiro a sair dos bolsos dos contribuintes. Mas que assim seja, ir para a Madalena é que não!
Se os picarotos não fossem tão bairristas, talvez tivessem melhores condições. Esta ilha tem cerca de 14 800 habitantes. Todas as semanas vão 400 para o Faial. Se esta malta se unisse e lutasse pela sua ilha:
 - Podiam deslocar-se à Madalena para consultas, MCDT's, etc.
 - De acordo com a nova portaria da deslocação, São Jorge, pode escolher entre o Hospital da Terceira e o Hospital da Horta, devido à localização geográfica. Penso que os Jorgenses prefeririam ficar mais próximos de casa em vez de se deslocarem à Terceira para coisas simples, como uma consulta de neurologia. Ora, se somarmos os 14 800 habitantes do Pico aos 8990 de São Jorge, ficamos com uns simpáticos  23790.
Ora, só com esta "brincadeira" os picarotos já falavam com o Governo Regional de outro modo e podiam exigir, por exemplo, a vinda de especialistas à ilha. Sei que isso não faz milagres, mas melhora consideravelmente a vida desta gente. O meu sogro teve de esperar um ano para fazer ser visto por um neurologista e confirmar o diagnóstico de Parkinson. Acham isto normal? Eu não...

E sabem o que mais me impressiona? Precisei de, apenas, 5 minutos para concluir isto e vivo aqui há 11 meses. Acreditam que há quem viva aqui há 50 ou mais anos e nunca tinha desenvolvido um raciocínio tão simples?

Infelizmente os picarotos continuam a ser bairristas. Não temos picoenses, mas sim "madalenas", "lepras" e "ébolas" (não me perguntem o porquê deste último nome) e pior, temos políticos que, ao invés de lutarem pelos verdadeiros interesses de quem lhes deu o tacho, fomentam todos os enredos que sustentam a política suja e desenvergonhada. Infelizmente há quem incite as pessoas a apresentar queixas, a fazer barulho sem razão (expondo-se muitas vezes ao ridículo), em vez de trabalhar para mudar as coisas. Esta é a segunda maior ilha dos Açores, senhores! Mas é a primeira no que respeita à parvoíce.

Continuem assim, que vão longe.


(Se o Sr. Secretário da Saúde quiser seguir as minhas sugestões, está à vontadinha)

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